É impressionante ver como ainda vivemos os tempos de transição entre comunicação para internet e os meios tradicionais. É incrível a resistência dos profissionais da área em realmente pensar “online”.
Vamos começar por umas das questões mais básicas de qualquer site: a página principal ou “homepage“.
Todos nós, profissionais de Internet, já sofremos com a “síndrome da página principal”. Os sintomas desta anomalia geralmente se manifestam da seguinte maneira: algum figurão da organização aparece e diz “precisamos ter isso na nossa página principal”.
Normalmente o “isso” é alguma planilha excell importante apenas para ele, os coleguinhas e para deixar sua mamãe orgulhosa. Sim, é triste, mas este sintoma normalmente vem acompanhado de quadros de megalomania, podendo ser melhor ou pior dependendo da instituição.
Muitas vezes podemos pensar que este é um pedido simples… não custa nada… apenas natural que alguém queira algo na “capa”, certo?
Pois é justamente aí que reside o poder nefasto desta anomalia corrosiva. Esta lógica, aparentemente superficial, é apenas a ponta do icebergue, um sintoma que indica a presença de uma doença muito mais profunda, ligada à uma maneira de pensar que não se aplica à web.
É óbvio que a homepage é importante. É claro que é lá onde devemos promover os destaques da instituição. Mas a página principal de um site não é a capa de um jornal. E muitas vezes é assim que ela é tratada.
Em geral, as mesmas pessoas que cobram espaço na homepage, também dizem que uma página principal deve ser “interativa”, “chamativa”, “colorida” etc… e por aí vai. Na maioria das vezes, também são estas pessoas que ainda tratam você, profissional de comunicação online como o “garoto da web”.
O único problema é que seu site não está numa banca de jornal…
É difícil converter o pensamento alheio e mostrar que existe, de fato, um certo estudo e preparo profissional por trás do seu trabalho e que você não está ali apenas jogando campo minado e paciência (afinal de contas agora é mais legal jogar mafia wars no facebook!).
Bem, o fato é que a experiência prática indica que uma página principal costuma receber em torno de 10% do tráfico de um site. Este é um padrão que observo na ampla maioria das páginas com as quais trabalho. Isso nos leva a duas conclusões:
- Ela é a página mais popular do seu site e deve ser tratada de forma especial
- Ao mesmo tempo, 90% dos seus leitores nunca vão passar por lá, portanto não deve ser supervalorizada
Essas são duas conclusões fundamentais para quebrar o raciocínio arraigado e simplista que nos leva a imaginar um site como um livro, no qual é preciso primeiro ler a capa para depois chegar-se ao conteúdo interno.
Se fôssemos por este caminho, deveríamos imaginar nossos sites como livros nos quais todas as páginas estão rasgadas e espalhadas por aí. Seus leitores precisam é de bons índices e buscas que os permitam encontrar a página desejada o mais direto e rapidamente possível.
Também é importante para demonstrar como devemos dar atenção especial ao conteúdo de páginas internas, aquelas que não estão na “capa”, mas que são responsáveis por atrair 90% de seus visitantes. Aí reside o maior desafio, nesta massa desforme de informação que precisa ser organizada de alguma forma e preparada para servir a estes visitantes que procuram assuntos extremamente específicos no seu site. Este é o tal do “long tail” ou cauda longa.
Mas, por enquanto, vamos focar em boas práticas para sua homepage.
Uma boa página principal deve funcionar, antes de mais nada, como uma boa bússola, como uma bem organizada janela para seu conteúdo. Ela deve ser aquele ponto de referência familiar onde seus leitores podem encontrar o que procuram – inclusive aqueles destaques que seu chefe te obriga a promover. Lembre-se que muitos de seus visitantes não vão cair diretamente nela, mas vão usá-la como um caminho natural para descobrir outros conteúdos em sua página.
Aqui vai uma edição de algumas dicas do tio Jakob Nielsen (artigo completo em inglês) sobre o que ele considera as top 10 dicas para toda e qualquer homepage:
1. Explique quem você é e o que você faz
É impressionante o número de organizações que se esquecem deste pequeno detalhe. Afinal de contas, é tão óbvio para todos que trabalham lá… né?
Enfim, comece sua página com uma frase simples, informativa e que resuma sua área de atuação (isso é importante mesmo para as empresas bem conhecidas). Sei que é difícil, mas chegar a esta frase pode ser um ótimo exercício interno também.
2. Escreva um “título de janela” adequado para motores de busca e listas de bookmarks
No código da página, comece o “title tag” com o nome da organização acompanhado de uma breve descrição de seu site.
3. Agrupe informações e contatos corporativos
Saber mais sobre sua raramente será uma tarefa prioritária de seus leitores. Mesmo assim, é importante determinar uma área na qual os visitantes possam encontrar detalhes sobre a atuação de sua empresa e contatos no mundo físico como telefone, endereço postal e não apenas um correio eletrônico. Isso conta pontos para credibilidade e transparência.
A clássica seção “Sobre <nome da organização>” é a melhor maneira de direcionar os usuários para obter informações detalhadas sobre quem você é.
4. Ajude os usuários a encontrar o que precisam
Sua página inicial deve oferecer um acesso rápido e destacado para as tarefas prioritárias de seu site. Definir estas tarefas é fundamental para qualquer estratégia de comunicação online (merece um post em separado para muito em breve).
5. Destacar a caixa de “busca”
A “busca” é uma parte importante de qualquer site grande. Ela deve estar presente em todas as páginas de maneira clara e acessível, especialmente na homepage. Dica: faça a sua caixa de pesquisa com, pelo menos, 27 caracteres de largura.
6. Revele seu conteúdo
É aqui que vêm os famosos “destaques” de cada site. Se sua homepage for realmente útil para os usuários, também será o melhor lugar para que você possa sugerir outros conteúdos para seus leitores.
7. Comece os links com a palavra-chave mais importante
Ao ler uma página, temos a tendência de varrer o conteúdo com os olhos num movimento descendente, tentando encontrar palavras relacionadas a um objetivo específico. Os links são, naturalmente, itens de ação – ou seja, algo com o qual podemos interagir. Ao começar cada link com uma palavra relevante, isso faz com que esta palavra se torne mais fácil de ser identificada.
8. Ofereça acesso fácil a conteúdos recentemente publicados
Muitas vezes os usuários voltam a sua página principal procurando conteúdos que antes estavam ali, destacados. É importante oferecer caminhos para que estes possam ser achados de novo. Nos blogs, isso é resolvido facilmente pela caixinha de “arquivo”. Manter alguma lista de destaques recentes ou algo semelhante é importante.
9. Não exagere na formatação da navegação ou outras áreas críticas para o usuário
Não é porque algo é importante que ele deve aparecer rodopiando, piscando, colorido ou dando cambalhotas. O leitor da internet é cruel e sem graça, ele está interessado em resolver um problema de forma rápida, não quer perder tempo. Portanto, concentre-se em tornar as partes da página como navegação e menus em algo de fácil utilização e instintivos. Ninguém deve ter de aprender a usar sua página, ela deve ser comportar sem surpresas.
10. Uso de imagens relevantes
Decorar sua homepage com um monte de desenho, fotos enormes e flash não garante uma boa usabilidade. Imagens podem extremamente poderosas quando forem impactantes e de interesse para os leitores. Mas podem ser distração irritante se forem gratuitas ou irrelevantes – principalmente no caso de animações.
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