Não sei se esta é uma estratégia deliberada de comunicação da Dilma. Pode ser que tudo isso seja fruto da minha perversa e distorcida imaginação… mas eu acho que a equipe da excelentÃssima candidata PTista à presidência andou orientando a se posicionar como uma espécie de “mãe” do povo.
Em sua entrevista ao Jornal Nacional, quando fustigada – diga-se de passagem – fraca dupla de entrevistadores William Bonner e Fátima Bernardes sobre seu caráter duro, a candidata se saiu com esta:
“Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo é meio como se a  gente fosse mãe. Tem uma hora que você tem de cobrar resultado. Quando você  cobra resultados, você tem de cobrar o seguinte: olha, é preciso que o Brasil  se esforce, principalmente o governo, para que as coisas aconteçam, para que as  estradas sejam pavimentadas, para que ocorra saneamento.”
É a mãe!
Que lindo. Ela conseguiu virar dona-de-casa e mãe num só parágrafo. Bom, se é uma estratégia de comunicação ou não, não sei dizer. Mas é no mÃnimo interessante.
Usar o arquétipo da “mãe” pode ser algo muito poderoso, especialmente no Brasil. A imagem maternal ameniza ou tenta justificar a personalidade “dura” de Dilma.
Isso ajuda a minimizar elementos negativos da personalidade da Dilma, além de facilitar a identificação com grande parte do eleitorado – especialmente com o “dona-de-casa” bem encaixadinho.
Aliás, não é à toa que tenhamos nossa Senhora como padroeira do Brasil. Esta imagem de “mãe protetora” é extremamente poderosa.
Como diz o antropólogo George Zarur no artigo A mãe morena: “nossa Senhora está associada a cenas fortes. Em momentos de grande perigo fÃsico, as mães brasileiras imploram que Maria lance seu manto protetor para proteger seus filhos”.
Tudo bem que Nossa Senhora também representa acolhimento, conforto do colo materno etc.  Não sei o quanto disso a Dilma consegue transmitir.
E quem é o pai?
Indo mais longe nesta viagem… imediatamente o Lula assume o papel, literalmente, paternalista. Pai do povo, pai do governo. Este sim, velho conceito da polÃtica na América Latina. A novidade de Dilma fica por conta da politicagem “maternalista”.
Tendo os entes partenos e maternos bem definidos, só falta então adicionarmos o “poder” como o EspÃrito Santo, fazendo assim uma espécie de santa trindade da polÃtica nacional.
Pode ser que nada disso tenha base. Mas com certeza há muito mais por trás de cada palavra que esses caras usam, principalmente agora na corrida eleitoral. E a psicologia é um lado da estratégia de comunicação que muitas vezes não vem à tona, mas tem efeito subliminar muito forte.
Seguindo na mesma linha, comecei a pensar para qual sÃmbolo o Serra poderia apelar…



