A última bomba no Afeganistão acabou explodindo na Internet. Esta semana o site Wikileaks liberou 90,000 documentos “secretos” das forças armadas americanas sobre mais uma guerrinha do tio Sam.
Os documentos revelam o que todo mundo já sabia: os EUA e seus parceiros da OTAN estão tomando um peia braba dos Talibãs enquanto os dois lados matam muitos mais inocentes do que admitem publicamente. 
Bom, as forças armadas de um país maquiar dados ou usar a comunicação como arma de guerra não é nenhuma novidade. Acontece desde os anos 30, mas naquela época falar de “bala mágica” era apenas discutir uma teoria de comunicação…
O que é o wikileaks?
O que há de novo nessa história é o conceito do wikileaks. O nome quer dizer literalmente “wiki-vazamento” ou um “wiki-cagoete”. E os criadores definem o site da seguinte forma:
“WikiLeaks é um serviço público desenhado para proteger denunciantes, jornalistas e ativistas que tenham conteúdo sensível para comunicar com o público”.
E continuam:
“Nós acreditamos que a transparência nas atividades governamentais leva à redução da corrupção, governos melhores e democracias mais fortes. (…) Historicamente, esta informação teve um preço muito alto – inclusive em termos de vidas e direitos humanos. Mas com os avanços tecnológicos – a internet e criptografia – os riscos de se publicar informaçôes importantes podem ser reduzidos”.
É aí que o wikileaks se difere de ser apenas uma plataforma de denúncias comum. A intenção é realmente fazer uma espécie de “disque denúncia” em escala global.
Qualquer pessoa pode submeter, de maneira totalmente anônima, uma história, documento, foto, vídeo, etc… ao wikileaks. Desde que o conteúdo seja secreto, censurado ou de alguma forma restringido por razões políticas, diplomáticas ou étnica. Eles não aceitam boatos, opiniões our dados já publicados de alguma forma.
Depois, o material submetido é analisado pela equipe do site, jornalistas e voluntários da chamada “grande imprensa”.
Sonho ou pesadelo?
O modelo é genial e joga com a lógica básica do jornalismo. Com a notoriedade que o site vem ganhando, todo repórter vai querer participar e estar por dentro dos possíveis furos que podem sair dali. Um jornal de respeito, mesmo que não quisesse criticar uma padrinho político, não pode se furtar a publicar uma notícia que os concorrentes certamente vão estampar na primeira página.
E se nenhum jornal der, cai nos blogs, na Internet. Aí eles terão de dar de qualquer forma. Um caso clássico de “ou-dá-ou-desce”.
Em resumo, isto pode ser o sonho de qualquer jornalista honesto e provavelmente o pesadelo daqueles que tem rabo-preso ou gostam de usar o seu veículo de comunicação como mesa de negociação. A galera do wikileak está cutucando os nervos sensoriais da imprensa, brincando de fazer agenda setting.
E os caras tiram onda com uma respeitável lista de sucessos no currículo.
Um exemplo de resultado concreto aconteceu em 2007, logo antes das eleições nacionais no Kenya. O site revelou um rombo de $3,000,000,000 causado por corrupção no governo. Isso mudou o voto de 10% dos kenianos e acabou resultando em alterações constitucionais e o estabelecimento de um governo mais aberto.
Você pode ajudar!
O meu sonho pessoal é ver algo assim funcionando a todo vapor no Brasil. Nós precisamos deste tipo de plataforma se quisermos ter uma imprensa mais independente e governos menos corruptos. Imagine como seria interessante ter algo assim durante as eleições?
Mas ainda há um longo caminho a andar para que algo assim pegue no Brasil. Um dos problemas, por exemplo, é que a tradução para português dos caras ainda é muito fraca.
O lado bom é que neste caso, podemos mudar alguma coisa. Se você fala bem inglês, ajude a traduzir o site! Veja aqui outras maneiras de como você pode participar.
———

