Nas nuvens…

Esta imagem também está nas nuvens...

Imagem tirada do Flickr, ou seja, também está nas nuvens...

Ainda lembro de quando era criança e, pela primeira vez, recebi a chave de casa. Um divisor de águas.

A partir daquele momento, eu alcançava na prática meu direito de ir vir. Aos dez anos tinha independência para sair e entrar de casa por conta própria, a qualquer momento. Tornei-me um genuíno adulto pré-adolescente.

Ok, beleza, era tudo muito teórico. Ainda tinha que subir para fazer o dever de casa na hora que minha mãe mandava. E como ela não confiava na minha memória, nos bolsos da minha calça ou na minha mochila da Company; passei a andar com a chave amarrada no pescoço para não perder. Mesmo assim. Apesar daquele ridículo colar coroado por uma “papaiz”, sentia a doce ilusão de ser dono do meu destino.

É mais ou menos a mesma sensação que tenho hoje em relação ao fato de não me importar mais sobre o computador que uso ou onde estão meus arquivos. Desde 2006, quando migrei do office no Windows – arrrrrtchu (som de cusparada no chão) – para a edição de documentos online, liberei-me dos grilhões das guerras de Sistema Operacional (Windows x Mac x Linux x Outros) e passei a levitar na computação em nuvem.

Estou, virtualmente, nas nuvens

É isso mesmo, hoje sou um adepto da “computação em nuvem“, para o que der e vier.

Segundo a wikipedia, o conceito de computação em nuvem (em inglês, cloud computing) refere-se a: “utilização da memória e das capacidades de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet, seguindo o princípio da computação em grade“.

Convenhamos, nada disso é muito novo.

Na aurora da computação, os famosos “mainframes” concentravam o processamento dos usuários que utilizavam terminais básicos para acessar o processador central. Pois o mundo, principalmente o da tecnologia, vem em ciclos… e lá estamos mais uma vez jogando nossos dados e processamento na rede.

O que se pode fazer por lá?

Não há nada mais útil do que ter meus instrumentos de trabalho sempre na rede, disponíveis em qualquer lugar, em qualquer sistema.

Para mim, tudo começou com a edição de documentos via Zoho e, mais recentemente, com o Google Docs. Hoje em dia, uso todo o pacote de tecnologias do Google, passando por toda a gama de aplicativos equivalente ao Office, mas muito mais eficiente.

Também passei a usar o Dropbox para armazenar meus arquivos e backups mais importantes. O programa é ótimo, funciona como mais uma pasta no seu HD, com o detalhe de que ela está eternamente disponível, sincronizada e pode ser acessada via web de qualquer máquina.

Outro dia comecei a testar o Pixlr, programa de edição de imagens online, um mini-photoshop virtual. Muito útil!

Enfim, a lista de programas para o usuário final que hoje utiliza a nuvem é infinito como o horizonte celeste da armazenagem de dados. Isso para não citar o fato de grande parte dos sites hoje estar migrando seus conteúdos para estruturas que também utilizam o conceito de “computação em nuvem”.

(adoraria ter um comentário do Zé aqui, vamos ver se ele contribui pro blog…)

Para mim, o efeito liberador disso é como o daquela chave que amarram no meu pescoço! Não importa mais se estou no meu Mac em casa, no PC velho do trabalho, no laptop da minha esposa ou no meu telefone. Tenho todos os meus dados acessíveis e disponíveis.

São demais os perigos desta vida…

Claro, nada é perfeito neste mundo. Existem vários riscos para a computação nas nuvens.

O céu vai cair sobre nossas cabeças!

O céu vai cair sobre nossas cabeças!

Todo meu trabalho, minha vida pessoal… enfim, toda minha história digital está por aí, flutuando entre uma constelação de servidores que processa friamente as fotos da minha priminha recém nascida, o email do meu último passeio turístico, aniversário do meu amigo ou o orçamento do meu projeto no trabalho.

E agora há quem diga que a nuvem está sujeita a ataques terroristas. Uma espécie de 11 de Setembro virtual no qual hackers-suicidas se explodiriam levando tudo abaixo. Claro, tudo isso virtualmente.

Além disso, é claro, existe o eterno medo de que a nuvem não seja exatamente algo etéreo, mas uma nuvem neural cuja consciência um dia se revoltará contra a espécie humana para dominá-la.


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  • Gadelha Neto

    Muito Legal, Fernando! Só tenho um problema. Aprender a lidar com estas coisas todas. Sou muito analfa ainda. Mas vou tentar…
    Abs
    Gadelha

  • http://comunicacao-internet.com.br Fernando Zarur

    Oh caro Gadejon, amado mester.

    Valeu pelo comentário e deixe de umidade, afinal, de analfa você não tem nada. E, além do mais, mora no cerrado. Ou seja, não tem sentido nenhum esta umidade toda!

  • Ze

    Maneiro o artigo, primo! É isso aí, chegou no Q da questão: cloud é liberdade. Desde que mudei um servidor meu para cloud, nunca mais preocupo com hardware, backup, nada, só sei que a Amazon cuida de tudo e estou no meio de outros milhares de computadores virtuais em algum lugar. A máquina? É só um arquivo… Que contraste com a época em que vivia de plantão, aguardando algum no-break pifar no CPD! O único porém é confiar em alguém, nem toda empresa pode colocar seus arquivos secretos de patentes e invenções nos discos do Google ou Amazon, mas tirando isso, para nós mortais, é bom demais lançar tudo nas nuvens e esquecer. Abração, Zé

  • Elza

    Fernando, adorei seus comentários!!!

    Muito bem colocados e, lógico, preciso contratar urgente um “personal computer” para entender um décimo, quer seja, das inúmeras mensagens que vc transmite pelo seu blog. Mas a principal delas, snif…. eu já percebi: me sinto anos luz atrás!!
    Bjsss